02/11/2007

Os católicos nos criticam (e também aos protestantes) por não aceitarmos os Papas como sucessores de Pedro e inspirados pelo Espírito Santo.

Vejamos os argumentos usados por eles:

"Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela" (Mateus 16:18)

Na Epístola aos Efesios, Cap II, v.20, está escrito claramente que a Igreja está fundamentada sobre a fé dos apóstolos e Profetas, sendo Jesus Cristo a principal pedra do angulo. S. Cirilo escreveu: "A rocha ou pedra de que nos fala Mateus, é a fé imutável dos apóstolos". S. Crisóstomo quando, em sua homilia 56 a respeito de Mateus, escreve: "Sobre esta rocha edificarei minha igreja: e esta rocha é a confissão de Pedro."

E qual foi a confissão de Pedro?

Está no versículo 16: "Tu es Cristo, o Filho de Deus vivo".

Santo Agostinho se expressa assim sobre a Primeira Epistola de S. João: "Edificarei minha igreja sobre esta rocha, significa claramente que é sobre a fé de Pedro".

No seu tratado 124 sobre o mesmo S. João, encontra-se essa frase: "Sobre esta rocha, que acabais de confessar, edificarei minha igreja; e a rocha era o próprio Cristo, filho de Deus".

Tanto esse santo não acreditava que a Igreja fosse edificada sobre São Pedro, que disse em seu sermão no 13:

"Tu és Pedro, e sobre esta rocha ou pedra que me confessaste, que reconheceste, dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo, edificarei a minha igreja, sobre mim mesmo; pois sou o Filho de Deus vivo. Edificarei sobre mim mesmo, e não sobre ti."

Haverá coisa mais clara??

Dizem as escrituras que Cristo até proibiu Pedro e seus colegas de reinarem ou exercerem senhorio (Lucas, XXII, 25 e 26). Cristo prometeu tronos aos apóstolos (Mateus, Cap. XIX, v. 28), sem dizer que o de Pedro seria mais elevado que os dos outros.

Os concílios do quatro primeiro séculos nunca deram, nem reconheceram o poder e a jurisdição que os bispos de Roma queriam ter.

Claro que Pedro, depois de Jesus desencarnar, seria o ponto de partida para as futuras pregações evangélicas. E assim, depois da crucificação, vamos encontrar Pedro em Jerusalém, como centro irradiador de forças espirituais e de ensinamentos para o Cristianismo nascente. E mais tarde, ao lado de Paulo em Roma, Pedro articula os trabalhos evangélicos que se desenvolviam na grande cidade, trabalhando fielmente até cair vítima da perseguição. Atendendo à sua fé franca e sincera e ao seu espírito ponderado e humilde com muita coragem de lutar, Jesus confia a Pedro a orientação dos primeiros passos do Cristianismo e a direção dos primeiros trabalhos da disseminação do Evangelho.

Mas onde está escrito que Pedro teria sucessores, escolhidos pelos homens, e que esses sucessores viveriam da religião e não para a religião? Onde diz que os sucessores seriam considerados infalíveis e seriam chamados "santidade"? Não disse isso, nem que os padres seriam sucessores dos apóstolos com poder de perdoar pecados. Disse que apóstolos perdoassem, pois esses eram médiuns, estavam preparados, sabiam reconhecer quem tinha realmente fé, quem estava realmente transformado e merecia ser perdoado, como fazia Jesus, inclusive CURANDO os enfermos após perdoar, obviamente livrando eles das enfermidades causadas pelos pecados de que agora eram perdoados.

É um absurdo comparar o exemplo de humildade e luta de Pedro com os Papas ao longo da História. Pedro jamais aceitaria o título de "Santidade", muito menos ser considerado infalível. Maior absurdo ainda dizer que o Papa é representante de Jesus ou Deus (o que para os católicos e evangélicos é a mesma coisa) na Terra. Só podemos considerar isso como uma enorme PRESUNÇÃO. Cristo disse: "O filho do homem não tem uma pedra para reclinar a cabeça, embora as aves do céu tenham seus ninhos e os lobos tenham os seus covis". Nasceu numa manjedoura, num lugar modesto, numa gruta. Morreu na cruz. Toda a sua vida foi muito simples. Ele é o chefe da Igreja Católica. Não mais do que isso. O século IX é conhecido pelos escândalos pontificiais. O tempo em que os papas, sanguinários e mundanos, eram designados por mulheres dissolutas, como Teodora e Marozzia. O Papa Gregório, o Grande, condenou o culto aos ídolos e Bonifácio III e IV restabeleceram o mesmo culto. Quais destes era mais infalível e inspirado pelo Espírito Santo?

No início do século V, o padre João de Hussinec, mártir e herói nacional da antiga Checoslováquia, reitor da Universidade de Praga, foi mandado pra fogueira pela Igreja, por causa dos seus trabalhos negando a autoridade do Papa, censurando os vícios do clero, as indulgências, etc. Apelam os católicos para o fato de Jesus ter prometido assistência para sua Igreja e que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela. Mas Jesus certamente não foi conivente com os absurdos cometidos pela Igreja Católica ao longo da História. Sua Igreja é a de "um só rebanho e um só pastor", e não exclusivamente a Católica ou uma das diversas igrejas evangélicas, cada uma delas dizendo ser a Verdade. Jesus falava da VERDADEIRA IGREJA DO CRISTO, a que leva a reforma íntima, a transformação do indivíduo e, por fim, de toda a Humanidade. O inferno não prevalecera contra os que colocarem seus ensinos em prática, e não os dessa ou daquela Igreja.

Jesus não criou uma Igreja com uma hierarquia baseada em valores materiais, e sim espirituais.

1 comentários :

Adriano disse...

Sábias palavras. O cristianismo adotado pela igreja apostólica romana, esta centrada nas figuras humanas (Papas, santos, padres...). Só Deus é o verdadeiro motivo de adoração. Chega de usar Deus como um instrumento de dominação e busca por poder.