21/03/2008


Robin M. Wright
Professor Livre-Docente
Departamento de Antropologia/IFCH/Unicamp
  O “vinho dos mortos”, o “cipó das visões”, o “chá Hoasca” - nomes de uma bebida extraordinária que permite acesso a “outros mundos” concebidos por quem a toma como “mais verdadeiros” e fundantes do que o “nosso mundo” transitário e efêmero. E que tem servido como fonte de inspiração religiosa para as mais diversas culturas. No entanto, há enormes confusões, desinformação e polêmica cercando esta bebida que a presente coletânea procura corrigir e esclarecer.

  A maioria dos artigos desta coletânea são trabalhos que foram apresentados no primeiro CURA, Congresso sobre o Uso Ritual da Ayahuasca, realizado em novembro de 1997 no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp. Outros são de especialistas no assunto que foram convidados a contribuir posteriormente. O I CURA, que na verdade continuava uma discussão ja em andamento há muito tempo entre acadêmicos, pesquisadores e adeptos sobre as “religiões ayahuasqueiras”, foi resultado de uma iniciativa de Beatriz Caiuby Labate, mestranda em Antropologia pela Unicamp. O Congresso foi patrocinado pelo Centro de Pesquisa em Etnologia Indígena e o Programa de Pós-Graduação em Antropologia, ambos do IFCH, e contou com o apoio do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria, da FCM, também da Unicamp.

  Como o Congresso, a coletânea avalia o estado da arte das pesquisas sobre a questão das controvertidas “religiões ayahuasqueiras” principalmente no Brasil mas também no exterior. É rica em informações e análises, e revisões da literatura fornecendo uma base sólida e lúcida para entender este fenômeno, e assim dispersando as nuvens de desinformação e sensacionalismo que o cercam.

  Aspectos históricos, sociológicos e antropológicos, psicológicos e simbólicos, farmacológicos e medicinais do uso da ayahuasca são examinados entre as culturas indígenas e os seringueiros da Amazônia, e em contextos urbanos. As principais linhas das religiões ayahuasqueiras no Brasil - os Daimistas, a UDV, e a Barquinha - são analisadas em todas suas complexidades, semelhanças e diferenças, e na sua interface com o universo da “nova consciência religiosa”, que vem despontando nas grandes cidades. Mas o fenômeno extrapolou as fronteiras da sua origem - o uso ritual de ayahuasca já foi exportado para o exterior onde foi assimilado e transformado pelo movimento New Age e suas vertentes de neoxamanismo. Isto é uma questão delicada, aliás, que também é discutida aqui.

  Esta coletânea e a iniciativa do I CURA abrem espaço assim para reflexões mais amplas e ao mesmo tempo mais profundas sobre o uso de “substâncias sagradas” ou “enteógenos” entre diversas culturas. É de interesse para Antropologia, Religião, Psicologia, Filosofia, e a nova área chamada Enteobotânica ou o estudo das plantas sagradas. É somente com este tipo de discussão interdisciplinar e holista que podemos apreciar o seu valor milenar.



3 comentários :

Mônica Santos disse...

Ola tudo bom?
pois ´[e vim pra escrever que todos os dias dou uma espiada aki e amo as músicas...
bejins

CCM - Luz Divina Universal disse...

Ok, aguarde que tem novidades...

Luz no seu caminho.

Anônimo disse...

OLÁ. ALGUEM TEM ESTE LIVRO PRA MIM ENVIAR OU PARTE DELE ?

TA MUITO CARO.